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  • Por que cada vez mais precisamos de Inteligência Emocional na vida pessoal e no trabalho?

    Foi o psicólogo e jornalista científico Daniel Goleman que, em 1995, difundiu o conceito de Inteligência Emocional no mundo inteiro, com seu livro do mesmo nome, que ficou mais de um ano na lista dos mais vendidos e foi traduzido para mais de 40 idiomas.

    Quase três décadas depois, a Inteligência Emocional só ganhou força enquanto habilidade comportamental a ser desenvolvida para alcançar mais sucesso pessoal e profissional e mais qualidade de vida.

    Talvez tenha sido o próprio mundo que, nos últimos anos pré e pós pandemia, se tornou ainda mais globalizado, tecnológico, competitivo e com constantes mudanças de ordem política, social e climática, que criou essa necessidade coletiva de expandir a consciência sobre si, entender de emoções e conseguir controlar as próprias ações. Por isso ganha um diferencial positivo, na vida e no trabalho, quem consegue ter flexibilidade mental para compreender e aceitar mais rapidamente os acontecimentos, sabe se expressar eficazmente e relacionar-se bem com as pessoas, além de lidar com as pressões, desafios e demandas do cotidiano.

    Afinal, nesta conjuntura de tanta insegurança, fragilidade, ansiosidade e incertezas, é preciso estar preparado para tomar decisões rápidas e certeiras. É por isso que habilidades como iniciativa, flexibilidade, direção para realização, empatia, autoconfiança, persuasão, autocontrole, gerenciamento de equipes, entre muitas outras que fazem parte do arsenal da Inteligência Emocional, passaram a ser tão valorizadas até mesmo no ambiente de trabalho, pois mesmo alicerçadas por princípios de racionalidade, metas e objetivos planejados, as empresas não se tornaram capazes de separar suas atividades racionais das emoções humanas de clientes e empregados.

    Ao contrário, fica cada vez mais evidente no mundo organizacional que, para alcançar melhores resultados, é preciso entender como as relações humanas interferem no ambiente de trabalho, já que emoções e afetos estão presentes em todo e qualquer lugar onde haja pessoas. E o impacto disso pode ser positivo ou negativo, mas é sempre contagiante! Perceba como um líder arrogante e antipático afeta o clima e aniquila o humor da equipe. A consequência? Provavelmente mal atendimento de clientes internos e externos. Da mesma forma, quem está feliz pode animar e quem é mais expressivo pode influenciar outras pessoas.

    E para quem ainda não está muito familiarizado com o termo Inteligência Emocional, é importante explicar que não se trata de uma metodologia de trabalho que uma empresa pode implantar de forma massiva, moldando o comportamento das pessoas a ela. Bem longe disso... Trata-se de um processo individual de autoconhecimento e empatia, que permite a cada pessoa, em diferentes níveis e momentos, identificar e reconhecer emoções próprias e alheias, analisar situações e perceber os envolvidos, para só daí definir suas atitudes de forma assertiva. Por isso ser inteligente emocionalmente não significa ser isento de emoções, mas saber subordiná-las à razão para agir como se quer e precisa, resolvendo melhor problemas e conseguindo focar mais energia onde de fato é necessário.

    Segundo Daniel Goleman, para desenvolver a Inteligência Emocional é preciso conhecer, compreender e praticar cinco habilidades básicas e interdependentes. As três primeiras, descritas abaixo, dizem respeito a habilidades intrapessoais (você consigo mesmo) e as duas últimas a habilidades interpessoais (você se relacionando com outras pessoas). São elas:

    - Autoconsciência: é passar a observar atentamente os próprios comportamentos e estados interiores, de forma consciente, investigativa e autorreflexiva, conseguindo reconhecer as próprias emoções. No trabalho, autoconsciência nos permite escolher a melhor forma de falar, agir, tomar decisões e atitudes. Já a baixa autoconsciência pode prejudicar o desempenho, pois não proporciona informações para que possamos tomar decisões certeiras, além de dificultar o modo como tratamos os outros. Ter autoconsciência também é o primeiro passo para desenvolver as demais competências da Inteligência Emocional.

    - Automotivação: é ficar entusiasmado com objetivos pessoais e estabelecer metas a si mesmo para alcançar esses objetivos. Uma pessoa automotivada não necessita de incentivo alheio para envolver-se profundamente, com esperança e otimismo, em busca do que deseja e precisa, conseguindo superar obstáculos e enfrentar problemas que possam impedir a concretização dessas metas estabelecidas.

    - Autocontrole: é ter capacidade de administrar os próprios sentimentos e emoções, sejam elas positivas ou negativas, e desenvolver outras habilidades pessoais que ajudam no processo de atingir o que se deseja. Em nível elevado, permite reinterpretar situações negativas, dando-lhes um significado positivo e impedindo o impulso de resposta reativa que possa comprometer o resultado almejado.

    - Empatia: é a habilidade de perceber e reconhecer as emoções e sentimentos das outras pessoas, compreendendo as situações pelo ponto de vista delas. A empatia pode ser desenvolvida pela observação, leitura e compreensão de comportamentos verbais e não-verbais de comunicação demonstrados pelos outros, tais como expressão facial, postura corporal e tom de voz.

    - Gerenciamento de Relações ou Sociabilidade: é a capacidade de iniciar, manter e aprofundar relações sociais e conseguir substituir, de forma genuína, sentimentos negativos por positivos em relação às outras pessoas.

    Um alto nível de Inteligência Emocional no ambiente de trabalho permite relacionamentos mais profundos, redes sociais mais seguras, grupos que se ajudam, além do desenvolvimento de lideranças mais positivas e uma comunicação mais efetiva, tudo trabalhando para realizar planos e atividades empresariais com mais eficiência e mais satisfação individual dos envolvidos, que passam a agir de forma mais autodirecionada e congruente com seus sentimentos e valores pessoais.

    Uma boa notícia é que a maturidade emocional pode ser desenvolvida em todas as pessoas que desejam, sendo possível aprimorá-la a qualquer momento, inclusive na vida adulta, a partir de experiências acumuladas. É por isso que a Inteligência Emocional também tem o potencial de crescer continuamente.

    Mas é preciso começar e recomeçar, sempre que necessário, pelo o autoconhecimento, passando a observar suas emoções, sentimentos e fatores motivacionais, o que te impulsiona a um objetivo, bem como o que te desmotiva e entristece. Mas pode ir sem pressa, pois só o fato de refletir sobre si mesmo já é o primeiro passo a caminho do desenvolvimento e um sinal de que você está amadurecendo emocionalmente.

    Ana Claudia Fagundes -Diretora da PositivAção Educação Corporativa
    Jornalista pós-graduada em Gestão da Comunicação Organizacional e Relações Públicas e em Psicologia Positiva

  • Resiliência na vida e no trabalho

    Resiliência na vida e no trabalho

    Exaustivamente debatida, ou ainda há o que aprender sobre ela?

    Certamente você já se deparou com algum material sobre resiliência e trabalho. Afinal, trata-se de um assunto muito abordado em artigos, palestras, cursos, reportagens, entrevistas. É só procurar que está lá, resiliência e trabalho sendo debatidos por toda a parte.

    Talvez porque este tema tenha sido o primeiro a ser estudado no Brasil pela Psicologia Positiva, uma área científica dentro da Psicologia que investiga os aspectos positivos do ser humano.

    Há pouco mais de vinte anos esses estudos buscam analisar as características positivas de personalidade que promovem a resiliência, como otimismo e esperança, considerando-a como um indicativo de vida saudável.

    Mas acredito que este ainda não seja um debate finalizado, pois há quem ainda não saiba o que de fato é resiliência e que é possível desenvolvê-la para sair menos impactado das adversidades a que somos acometidos a todo momento, seja na esfera pessoal ou profissional.

                Tanto que, no mundo do trabalho, a resiliência é reconhecida como uma das mais importantes competências comportamentais (soft skills), principalmente em momentos de crise. Isso porque uma pessoa com essa característica consegue lidar mais positivamente com problemas, adapta-se mais facilmente às mudanças e resiste melhor a pressões. E que trabalho não tem tudo isso?

    De origem latina, a palavra resiliência é a junção do verbo silie (saltar) + o prefixo re (novamente), assim, o termo pode ser entendido como saltar de volta ao estado normal.

    Originalmente, o termo resiliência vem da Física, referindo-se à propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora da deformação elástica. Mas outras áreas emprestam a palavra, sempre para designar a capacidade de voltar ao que se era antes após o enfrentamento de dificuldades. Na Ecologia, refere-se à recuperação da natureza após um desastre ecológico. Na Administração, à capacidade dos profissionais em se adaptarem às constantes mudanças no trabalho. Já na Psicologia, a palavra é empregada para tratar da resiliência em pessoas, entendida como a capacidade que um indivíduo tem ou não de enfrentar seus próprios medos, lutas e crises.

    Porém, psicologicamente, a resiliência não é considerada como uma coisa única e estática, mas sim um conjunto de fatores de personalidade que promovem em alguém a habilidade de lidar, superar, aprender e até mesmo de se transformar e evoluir a partir das adversidades e estresse inevitáveis da vida.

    Compreendida como uma capacidade adaptativa positiva, resulta em desenvolvimento pessoal com saúde e perspectivas sobre o futuro, mesmo em condições complexas, difíceis ou de trauma. Junto com otimismo e esperança, a resiliência é essencial para a resistência à depressão e para levar uma vida mais produtiva e feliz.

    Mas apesar de ser um recurso que faz parte da natureza humana, não é um atributo fixo, por isso a resiliência de alguém pode ser alterada de acordo com as circunstâncias, em qualquer fase da vida. E como uma característica pessoal, varia também de forma individual, por isso a resposta aos mesmos riscos e eventos estressores podem ser experenciados de maneiras diferentes por cada pessoa. Isso significa que, após um acontecimento negativo, indivíduos resilientes poderão voltar ao estado normal de saúde física e psicológica que tinham antes da adversidade vivenciada. Já outros poderão sentir a necessidade de se autodesenvolver a partir do evento, utilizando a resiliência para criar uma versão melhor de si mesmo, florescendo e se tornando ainda mais feliz, mesmo tendo a vida marcada pelo trauma.

    Como habilidade humana, a resiliência pode ser desenvolvida e até mesmo fortalecida nos indivíduos, o que depende de autoconhecimento e autodesenvolvimento, mas é possível alcançar maior resiliência mudando, por exemplo, pensamentos negativos por positivos, apreciando os bons momentos através de savoring e também a partir do desenvolvimento de forças e virtudes e autorrealização.

    O processo de vivenciar a resiliência resulta no desenvolvimento psicológico sadio, a partir da construção fortalecimento de outras competências comportamentais que permitem a redução da depressão, ansiedade e problemas de conduta. Segundo Paulo Yazigi Sabbag, idealizador da primeira escala nacional para avaliar o nível de resiliência de profissionais, há nove caraterísticas comuns observadas em pessoas com alto nível de resiliência, que são:

    • Competência Social: Saber se relacionar com outras pessoas, saber buscar ajuda externa e aceitar apoio em momentos de crise e estresse.
    • Autoeficiência: Ter claro os objetivos que quer atingir e autorresponsabilidade perante às ações que precisam ser realizadas para o sucesso nesses objetivos.
    • Empatia: Entender o outro e suas escolhas, colocar-se no lugar do outro com os valores e condições do outro.
    • Flexibilidade Mental: Não ser teimoso, tentar soluções diferentes e novos caminhos, aceitar sugestões e críticas.
    • Tenacidade: Persistência e capacidade de lidar com situações incômodas e adversas.
    • Solução de Problemas: Exige pensamento estratégico, analítico e controle das emoções para tomar decisões assertivas.
    • Proatividade: Encarar os desafios com novas perspectivas, entende e assimila mudanças e age por si só, sem ficar esperando ordens.
    • Temperança: Saber controlar a impulsividade das emoções, da raiva; ter inteligência emocional.
    • Otimismo: Ter consciência do lado obscuro e negativo das coisas e da vida, mas mesmo assim enxergar pontos positivos.

    Então, antes de se autoavaliar como pouco ou muito resiliente, observe suas atitudes na vida pessoal e no trabalho em todos esses outros aspectos. Perceba quais dessas características pessoais e habilidades comportamentais você consegue utilizar com facilidade e em quais você precisa se esforçar mais. E é assim, passo-a-passo, atitude por atitude, habilidade por habilidade, que você se tornará uma pessoa e um profissional mais resiliente, o que fará bem, primeiramente, para você! Afinal, aprender e praticar nunca é demais!

  • Só lidera no mundo VUCA quem aprende a mudar

    Só lidera no mundo VUCA quem aprende a mudar

    Que o planeta que habitamos chama-se Terra todo mundo sabe. Mas e o mundo em que a gente vive, você sabe de qual outro nome pode ser chamado? Mundo VUCA. Já ouviu falar? E sabe qual é um dos segredos de sucesso neste mundo? Saber gerenciar mudanças.

    Vamos por partes...

    Este acrônimo VUCA, em inglês, ou VICA, em português, foi cunhado pelo exército americano nos anos de 1990, após a Guerra Fria, para definir um cenário Volátil (Volatility); Incerto (Uncertainty); Complexo (Complexity) e Ambíguo (Ambiguity).

    Essas quatro palavras referem-se às revoluções tecnológicas, transformações digitais e mudanças constantes, fragmentadas, controvérsias e imprevisíveis que impactam a vida de todos nos níveis social, político e econômico. Resumindo o mundo assim, fica mais fácil entender que nada mais é fixo, já que absolutamente tudo é passível de mudanças.

    Após a crise mundial de 2008, o termo VUCA passou a ser utilizado também no contexto organizacional, elucidando a necessidade de empresas e profissionais em serem flexíveis para conseguirem se adaptar tão rapidamente quanto as mudanças exigem. E, convenhamos, a pandemia nos fez vivenciar esses conceitos na prática.

    Já que a mudança se tornou algo rotineiro, é fácil compreender porque a Gestão de Mudanças é uma das habilidades comportamentais (soft skills) mais requisitas no mundo do trabalho, principalmente para líderes, que são quem conduzem as transformações dentro de uma organização.

    Como habilidade, a gestão de mudanças é uma junção de várias ideias distintas, advindas dos campos da administração, engenharia e psicologia, sendo os dois últimos os mais convergentes e complementares.

    Enquanto na primeira o foco está em processos, sistemas e estrutura, na psicologia a atenção é voltada para pessoas. Se engenheiros têm como ponto de partida problemas ou oportunidades, psicólogos se concentram nas mudanças ou resistências dos empregados de uma organização. Quanto aos resultados, na engenharia são mensurados com métricas financeiras, estatísticas e desempenho do negócio. Na psicologia, com satisfação no trabalho, turnover e perda de produtividade.

    Entendendo que pessoas e resultados são dois lados da mesma moeda, é sabendo equilibrar esses e vários outros fatores que um líder faz uma boa gestão de mudanças. Afinal, mesmo com tanta tecnologia disponível, a sobrevivência no mercado e o sucesso de um projeto ou de qualquer organização sempre irá depender de gente. E essa habilidade de orientar os empregados por meio das mudanças pode ser um fator decisivo sobre o quão rápida e completa uma mudança será realizada.

    Afinal, é normal que qualquer mudança possa trazer medo, incerteza ou perda de confiança. Por isso, para realizar uma boa condução neste processo, o líder precisa comunicar seus liderados sobre a mudança, apoiar e demonstrar suporte, engajar-se no projeto, além de identificar e gerir resistências. Assim, fazer uma boa gestão de mudança é atirar-se primeiramente nela, sendo um precursor deste processo em todos os níveis da empresa, minimizando os impactos certeiros que qualquer mudança pode trazer nos hábitos, comportamentos e modelos mentais de qualquer pessoa.

  • Como promover a comunicação positiva em reuniões virtuais

    Como promover a comunicação positiva em reuniões virtuais

    Dizer que o processo comunicacional é tão vital para o bom funcionamento humano quanto o ar é para a manutenção da vida, não é nenhum exagero!

    O ser humano é um ser social, que necessita se comunicar para se desenvolver. E mesmo com bilhões de anos de evolução, a comunicação – ou a falta dela – sempre é elencada como um dos principais problemas de relacionamentos, afetando também o mundo profissional.

     Tanto que, enquanto competência humana, a comunicação é uma das habilidades mais requisitadas pelas organizações na hora da contratação ou como soft skill (habilidade comportamental) a ser desenvolvida nos empregados.

    Afinal, quem se comunica bem, de maneira clara e fluida, de forma assertiva e respeitosa, tem mais facilidade para influenciar outras pessoas e alcançar objetivos pessoais ou profissionais.

    Como processo de interação, a comunicação hoje em dia ganha cada vez mais espaço nas câmeras e microfones e torna-se cada vez menos olho no olho, principalmente com os colegas de trabalho. As reuniões virtuais são uma realidade em praticamente todas as organizações, sejam empresas, escolas, e até mesmo nas interações familiares.

    E se o virtual agora faz parte da vida real, ao vivo e a cores, quase que diariamente, então precisamos utilizar meios e formas para, além de ver, falar e ouvir, também sentir. Proporcionar um ambiente acolhedor e com lugar de fala para todos os participantes online é primordial para manter a qualidade dessa comunicação intermediada pela tecnologia.

    Por isso as reuniões virtuais de trabalho tornaram-se um novo desafio para que gerentes e equipes não percam o vínculo antes estabelecido. Mesmo com tanta tecnologia intermediando nosso cotidiano, é preciso lembrar que por trás das câmeras interagimos com pessoas que estão controlando suas emoções diante dos desafios organizacionais e da vida pessoal.

    Sabe aquele momento descontraído no trabalho, com aquele bate-papo na hora do cafezinho antes de entrar ou depois de sair das reuniões, em que a gente pode falar da vida e fortalecer a amizade com os colegas? Agora essa é uma cena cada vez mais rara.  Na comunicação remota, então, o jeito é promover momentos positivos e estruturar as conversas nas salas virtuais com foco em diálogos mais humanizados, para que as interações sejam recíprocas, criando laços fortes e relações com mais engajamento e colaboração entre os membros da equipe, tudo isso sem perder a assertividade.

    Algumas sugestões podem ajudar neste processo. São atitudes simples, mas que podem fazer grande diferença nas emoções que serão experimentadas antes, durante e depois de cada encontro virtual.

    Ao abrir a reunião, por exemplo, é possível iniciar com uma dinâmica simples de quebra-gelo. Se a equipe não for muito grande, ofereça um minuto para que cada membro fale da própria vida pessoal e profissional, de seus medos, anseios e conquistas. Isso sinaliza para os participantes uma comunicação respeitosa e harmônica, em que as pessoas certamente se sentirão ouvidas, acolhidas e valorizadas.

    Para equipes maiores e onde o tempo for fator determinante, uma alternativa é começar o encontro com uma conversa mais leve do que propriamente a pauta da reunião. Algo rápido e mais casual, ou até mesmo um tema livre, para descontrair os participantes antes do assunto principal.

    Já quando o assunto da reunião levar à tomada de decisão, peça a opinião de todos a respeito do tema da agenda. Utilize perguntas abertas, dando tempo e espaço para que os participantes possam falar, e não apenas tenham como opção respostas fechadas, como sim ou não. Evite interromper bruscamente a fala alheia e permita que todos de fato expressem sua opinião. Ouça com a atenção e agradeça a cada participação.

    Promover o riso durante as interações é ótimo, pois rir provoca nas pessoas emoções positivas, que ajudam no processo de comunicação e na realização de qualquer tarefa. Mas é preciso focar no lado saudável e tomar cuidado para que o excesso de brincadeiras ou comentários sarcásticos inibam a participação de alguns ou possam até machucar os sentimentos de outros.

    O mundo hoje mostra que as organizações já conseguiram transpor a barreira da presença física, mas fazer uma boa comunicação ainda necessita de cuidado de quem a promove, lembrando que, por trás de cada câmera, há um ser humano tentando se comunicar.

    A boa comunicação, ou seja, a comunicação conduzida de forma clara e objetiva, a fim de promover a fala e a escuta, o respeito e emoções positivas é essencial para estabelecer interações pessoais de qualidade, principalmente no ambiente de trabalho. Pois mesmo fisicamente longe um do outro, o objetivo de se comunicar continua sendo levar entendimento com sentimento, e quanto mais positivos forem, melhor!

  • Desenvolver as 'soft skills' é ampliar a empregabilidade

    Desenvolver as 'soft skills' é ampliar a empregabilidade

    No mundo em que vivemos, cada vez mais dependente de tecnologia e permeado por informações velozes e abrangentes, e onde há perspectivas de carreiras mais longas entre múltiplos empregos e atividades, as soft skills, ou, traduzindo, as “habilidades comportamentais”, vêm ganhando cada vez mais espaço não só no mundo corporativo, mas também na área educacional. Afinal, é na escola que se aprende a base para a vida adulta, na qual se desenvolve também a vida profissional.

    E é aí que uma palavra ganha força: empregabilidade. Ela está relacionada à nossa capacidade de conseguir emprego e trabalho ao longo da vida. E a nossa empregabilidade, mais que nunca, está sendo afetada positivamente pelos nossos talentos e conjunto de soft skills que conseguimos desenvolver. Também conhecidas como habilidades essenciais do século 21, estão relacionadas com aspectos comportamentais dos profissionais e capacidade de adaptação ao crescimento tecnológico.

    Afinal, o que os empregadores querem são pessoas com comportamentos de quem se engaja nos valores organizacionais e seus respectivos objetivos, metas e tarefas, e que tenham ainda facilidade de se encaixar nos grupos e na estrutura da organização, sem perder a vontade de aprender continuamente e sabe lidar com a perspectiva do tempo, pensando nos ganhos a longo prazo.

    São várias as habilidades comportamentais ligadas à empregabilidade. O Fórum Econômico Mundial divulgou as dez mais importantes para as carreiras no futuro, até 2022. São elas: pensamento analítico e inovação; capacidade de resolver problemas complexos; pensamento crítico e analítico; aprendizado ativo e estratégico; criatividade, originalidade e iniciativa; atenção aos detalhes, confiabilidade; inteligência emocional; raciocínio, resolução de problemas e ideação; capacidade de liderança e influência social; coordenação de gerenciamento.

    Muitos dos anúncios de vagas de emprego atuais colocam as soft skills como requisitos de maior importância, destacando-as perante as habilidades técnicas e relacionadas à formação profissional, também chamadas de hard skills.

    Dia desses, inclusive, vi uma vaga para coordenador de Recursos Humanos numa grande multinacional, para atuar prioritariamente com treinamentos, em que o candidato poderia ter qualquer formação universitária, pois o que mais seria levado em conta é a capacidade do profissional em alcançar os resultados almejados para o desenvolvimento das pessoas da corporação.

    As soft skills estão relacionadas à inteligência emocional, que pode ser definida como a capacidade de compreender tanto os sentimentos e emoções próprios, quanto os das outras pessoas. Saber usar emoções a seu favor ajuda a controlar as próprias reações e evitar situações adversas que comprometam o rendimento individual e da equipe, promovendo relacionamentos mais saudáveis.

    Desenvolver a capacidade de trabalhar em equipe também se torna essencial para a empregabilidade. Afinal, nada melhor que conseguir resultados positivos estando entre pessoas de personalidades distintas, sabendo utilizar a comunicação de forma pacífica e assertiva para lidar com as diferenças. Isso promove uma convivência mais tranquila, sem maiores dificuldades por questões pessoais e mantendo o fluxo de trabalho eficiente.

    Mas não é nada fácil para cada um de nós desenvolvermos tantas soft skills assim, como o mercado exige. O segredo está em saber fazer escolhas, desenvolvendo primordialmente o que não se domina e que é necessário para o bom desempenho profissional e pessoal. Já para as organizações, a estratégia é incorporar a diversidade em suas práticas para formar equipes multidisciplinares, em que cada membro se destaca por ter habilidades diferentes das dos colegas.

    Sabemos que cada empresa constrói seus times de acordo com suas necessidades, o que deriva de vários fatores, tais como segmento de atuação, valores e sustentabilidade, por exemplo. Mas, de forma generalista, o que o mercado de trabalho busca são pessoas que apresentam atributos relacionados às mais diversas competências, que podem ser classificadas como:

    - competências intelectuais (capacidade de reconhecer e definir problemas, equacionar soluções, pensar estrategicamente, introduzir mudanças nos processos de trabalho, atuar de modo preventivo, transferir e generalizar conhecimentos);  

    - competências organizacionais (mais metódicas, incluem autoplanejamento e autorganização, gerenciamento do tempo e espaço de trabalho);

    - competências comunicativas (englobam capacidade de expressão e comunicação com o grupo, em cargos acima e subordinados; cooperação; trabalho em equipe; diálogo; negociação, persuasão e comunicação interpessoal);

    - competências sociais (saber transferir conhecimentos da vida cotidiana para o trabalho e vice-versa);

    - competências comportamentais já citadas anteriormente (criatividade, iniciativa, pensamento crítico, vontade de aprender, flexibilidade ou abertura à mudança, etc.).

    Mas como por que as soft skills tornaram-se mais importantes no mundo do trabalho do que as próprias hard skills?

    De forma resumida, uma das hipóteses é que as hard skills são mais facilmente encontradas nas universidades ou cursos técnicos, podendo ser comprovadas pelas pessoas pelos seus diplomas e facilmente aprendidas por meio de cursos e especializações.

    Já as soft skills dizem respeito aos comportamentos que as pessoas demonstram ter verdadeiramente, ou que pelo menos são apresentadas de forma voluntária ou inconsciente na maior parte do tempo, e que de fato interferem no humor, no clima, no engajamento e nos resultados organizacionais. Para aprendê-las, desenvolvê-las ou aprimorá-las, não há uma única receita ou um único caminho. Cursos, palestras, leitura de livros, revistas e artigos, filmes, lives, práticas, interação com outras pessoas, terapias... Tudo o que nos faça enxergar a nós mesmos e reconsiderar mudanças em nosso comportamento de forma intra e interpessoal, ajuda a desenvolver nossas soft skills.

    É por isso que, antes de mais nada, autoconhecimento e autodesenvolvimento são essenciais para alcançar essas e outras habilidades procuradas pelo mundo corporativo.

    E você, já começou nesse caminho? Já sabe quais são as suas habilidades comportamentais reconhecidamente mais percebidas por você e por pelas pessoas com as quais você mais convive? Já passou por alguma situação em que sentiu falta de ter desenvolvida alguma soft skill específica, ou já foi admirado pela manifestação de alguma? Quais as soft skills que você consegue reconhecer nas pessoas que mais admira?

    Pense nisso, aja e amplie sua empregabilidade!

    Por Ana Claudia Fagundes
    Jornalista, especialista pós-graduada em Relações Públicas (ECA-USP) e em Psicologia Positiva (PUC-RS). Atua há mais de 10 anos como palestrante e instrutora de cursos voltados ao desenvolvimento pessoal e profissional.
    Fundadora e instrutora na PositivAção Educação Corporativa
    | contato@positivacao.com.br |

  • Implementar os 5S na empresa não depende só de organização, depende de emoção!

    Implementar os 5S na empresa não depende só de organização, depende de emoção!

    Porque é o gerenciamento de emoções, sentimentos e atitudes dos envolvidos que traz a tão esperada mudança de comportamento

    Há alguns meses estou trabalhando numa consultoria para a implantação do programa 5S numa empresa brasileira e familiar, localizada no interior de SP. Com décadas de vida, essa empresa viu a necessidade de implantar os 5S por demanda de um cliente exigente, dono de uma marca conhecida mundialmente, e que sabe o quanto esse programa interfere positivamente nos resultados organizacionais. E desde que começamos o programa lá dentro, muita coisa mudou, e para melhor! Além da visível organização física, toda equipe envolvida tem sido positivamente impactada pelo desenvolvimento pessoal e profissional que a prática desses sensos traz.

    Muito conhecido no mundo corporativo, o Programa 5S consolidou-se no Japão na década de 1950, com o objetivo de recuperar esse país após ter sido devastado pela Segunda Guerra Mundial. A prática desses sensos por todos, em todos os lugares, auxiliou no desenvolvimento do país, tornando essa nação uma das grandes potências econômicas, mundialmente reconhecida pela alta qualidade de seus produtos e disciplina de seus cidadãos.

    Lá no Japão, os 5S são tão fortes, que fazem parte do modo de vida e educação dos japoneses desde a infância, sendo algo muito mais natural para eles do que é para nós, brasileiros. Por aqui, de modo geral, não temos tanta intimidade com esses cinco sensos, não pelo menos de forma tão estruturada e praticada quanto é para os orientais. A maioria das pessoas que conheço chega à fase adulta sem nunca ter ouvido falar em 5S, ou às vezes até têm contato com o tema, porém de maneira equivocada, o que não garante resultados satisfatórios devido à sua aplicação geralmente apenas parcial.

    Os 5S são cinco sensos que devem ser seguidos para a implantação de princípios que visam a melhoria contínua do nível de organização, arrumação e limpeza dos ambientes de trabalho. São eles: senso de Utilização (Seiri); senso de Ordenação ou Organização (Seiton); senso de Limpeza (Seiso); senso de Saúde (Seiketsu) e senso de Autodisciplina (Shitsuke). Apesar de sua simplicidade, quando desenvolvido com disciplina e esforço, os resultados trazidos pelos 5S aparecem rapidamente e são impressionantes.

    Mas para implantar os 5S numa empresa que não nunca praticou isso antes, não basta apenas sair pelos ambientes arrumando as coisas. É preciso começar pela educação, ensinando sobre cada senso e viabilizando para que cada um seja praticado por todos na organização. E não se trata apenas de incorporar cada S nas gavetas, mesas, armários, arquivos nos computadores, caixas de ferramentas, compras, vendas, armazenamento e utilização de matérias-primas e até mesmo na forma de se relacionar no ambiente de trabalho. A tarefa de caminhar de um a outro senso e evoluir positivamente nesta caminhada exige o gerenciamento de emoções, sentimentos e atitudes de todos os envolvidos.

    Por isso, implantar os 5S em qualquer empresa é sim um grande desafio, enfatizando que não é simplesmente organizar as coisas materiais, mas sim incentivar a mudança de comportamentos das pessoas em relação àquilo que elas estão acostumadas a fazer todos os dias, e que já está incorporado à cultura organizacional. Dessa forma, o maior desafio numa consultoria de 5S está em auxiliar as pessoas envolvidas a gerenciar os próprios valores e as emoções, bem como as de outros indivíduos, em todo o processo de implantação do programa.

    Assim, em cada passo da caminhada dos 5S, é preciso saber conduzir essas forças emocionais para a prática efetiva e positiva do programa, pois é absolutamente normal que, enquanto alguns se sentirão motivados a se engajar nas mudanças que surgirão, outros trarão a esse processo uma resistência natural e inerente ao ser humano, e que pode ser capaz de desestimular e até mesmo sabotar o restante da equipe.

    Só para começar, o primeiro S - Seiri ou senso de Utilização - implica em deixar no ambiente de trabalho apenas o que de fato tem utilidade, eliminando, seja para doação, reutilização em outro setor ou simplesmente para o descarte, tudo o que não é necessário. Assim, este senso força o desapego, sentimento ao qual nem todo mundo está preparado para vivenciar, principalmente pessoas possessivas e acumuladoras, podendo causar incômodo e sensação de invasão. Porém, para outros, a simples possibilidade de se livrar de coisas sem uso e fazer uma limpeza geral no ambiente pode trazer sensação de alívio e renovação.

    O segundo S, Seiton ou senso de Ordenação, faz com que as pessoas sejam capazes de criar e seguir critérios de organização facilmente entendidos e seguidos por todos, fazendo com que muitas pessoas tenham que abrir mão de um jeito individual de guardar e encontrar coisas, sejam elas físicas ou digitais, em prol de uma forma de guardar que seja entendida, viável e possível para toda a equipe. Mais uma vez, trata-se de um senso que faz a pessoa tirar o foco do individualismo para se integrar a um sistema grupal, saindo do próprio mundo para se integrar ao um modo mais coletivo de entender e organizar as coisas.

    O senso de Limpeza - Seiso - consiste em zelar pelos recursos e instalações, mesmo quando não são de nossa posse. Isso significa manter limpo e organizado todo lugar, compreendendo que, mesmo na empresa, limpar e manter limpo não é tarefa apenas dos profissionais contratados para esse fim. Quem entende isso é o tipo de pessoa que não joga papel na rua, recolhe seu próprio lixo na praia, retira sua bandeja na praça de alimentação no shopping. Bem, se pensarmos como ficam nossas ruas no fim de feira, como ficam nossos estádios após os jogos de futebol ou como fica a maioria das nossas praias após um dia de grande calor e invasão de banhistas, infelizmente perceberemos facilmente que nós, brasileiros, ainda temos muito a amadurecer neste quesito. Nas empresas, criar condições para que o senso de Limpeza se manifeste por todos requer o estabelecimento e comunicação de regras e práticas esperadas pela organização, ações simples, mas que surtem efeitos positivos, como por exemplo não comer na mesa de trabalho, deixar o banheiro em condições de uso para a próxima pessoa, observar e inspecionar fontes de sujeira com o intuito de eliminá-las, etc. O lema aqui é, muito mais que limpar, não sujar. O que acontece é que, neste senso, muitas vezes a arrogância ou sentimento de superioridade, acreditando que as tarefas de limpeza são de menor importância, não permite que algumas pessoas percebam o quanto praticá-lo é importante para exercitar a cidadania.

    E que sentimentos o Seiketsu, ou senso de Saúde e Padronização, pode acarretar? Para começar, amor próprio e respeito ao próximo. Isso porque este senso é praticado por meio de regras de convivência e ao respeito aos três primeiros Ss, como foco na saúde física, mental e emocional, o que está diretamente relacionado à autoestima e a ser capaz de seguir regras e padrões para uma convivência pacífica, sem tirar a individualidade das pessoas. É pensar e agir em prol do ambiente e do bem-estar próprio e das outras pessoas também.

    E quando finalmente chegamos ao final da caminhada dos 5S, o que o Shitsuke ou senso de Autodisciplina requer é o cumprimento rigoroso e espontâneo das normas, regras e procedimentos estabelecidos nas etapas anteriores. E como a disciplina não é um ponto forte unânime entre todos os indivíduos, mais uma vez pode ser um desafio para algumas pessoas desenvolver essa habilidade que se refere à manutenção de valores éticos, morais, individuais e coletivos, como espírito de equipe, cooperação, respeito, responsabilidade, tolerância e unidade.

  • Pequeno Dicionário de Psicologia Positiva

    Pequeno Dicionário de Psicologia Positiva

    Já está disponível a publicação "Pequeno Dicionário de Psicologia Positiva", para quem quiser ter mais contato com a Psicologia Positiva de forma simples e rápida!
    Boa leitura para quem adquirir, e meus sinceros agradecimentos!

  • Palestra sobre Psicologia Positiva

    Palestra sobre Psicologia Positiva

    No último dia 20 de dezembro estivemos falando sobre Psicologia Positiva na empresa Dynapac em Sorocaba.

    Um suspiro de esperança sobre os comportamentos e emoções que podemos cultivar para ter mais felicidade na vida, num momento tão desafiador! Parceria com @sesisorocaba