Desenvolver as ‘soft skills’ é ampliar a empregabilidade

No mundo em que vivemos, cada vez mais dependente de tecnologia e permeado por informações velozes e abrangentes, e onde há perspectivas de carreiras mais longas entre múltiplos empregos e atividades, as soft skills, ou, traduzindo, as “habilidades comportamentais”, vêm ganhando cada vez mais espaço não só no mundo corporativo, mas também na área educacional. Afinal, é na escola que se aprende a base para a vida adulta, na qual se desenvolve também a vida profissional.

E é aí que uma palavra ganha força: empregabilidade. Ela está relacionada à nossa capacidade de conseguir emprego e trabalho ao longo da vida. E a nossa empregabilidade, mais que nunca, está sendo afetada positivamente pelos nossos talentos e conjunto de soft skills que conseguimos desenvolver. Também conhecidas como habilidades essenciais do século 21, estão relacionadas com aspectos comportamentais dos profissionais e capacidade de adaptação ao crescimento tecnológico.

Afinal, o que os empregadores querem são pessoas com comportamentos de quem se engaja nos valores organizacionais e seus respectivos objetivos, metas e tarefas, e que tenham ainda facilidade de se encaixar nos grupos e na estrutura da organização, sem perder a vontade de aprender continuamente e sabe lidar com a perspectiva do tempo, pensando nos ganhos a longo prazo.

São várias as habilidades comportamentais ligadas à empregabilidade. O Fórum Econômico Mundial divulgou as dez mais importantes para as carreiras no futuro, até 2022. São elas: pensamento analítico e inovação; capacidade de resolver problemas complexos; pensamento crítico e analítico; aprendizado ativo e estratégico; criatividade, originalidade e iniciativa; atenção aos detalhes, confiabilidade; inteligência emocional; raciocínio, resolução de problemas e ideação; capacidade de liderança e influência social; coordenação de gerenciamento.

Muitos dos anúncios de vagas de emprego atuais colocam as soft skills como requisitos de maior importância, destacando-as perante as habilidades técnicas e relacionadas à formação profissional, também chamadas de hard skills.

Dia desses, inclusive, vi uma vaga para coordenador de Recursos Humanos numa grande multinacional, para atuar prioritariamente com treinamentos, em que o candidato poderia ter qualquer formação universitária, pois o que mais seria levado em conta é a capacidade do profissional em alcançar os resultados almejados para o desenvolvimento das pessoas da corporação.

As soft skills estão relacionadas à inteligência emocional, que pode ser definida como a capacidade de compreender tanto os sentimentos e emoções próprios, quanto os das outras pessoas. Saber usar emoções a seu favor ajuda a controlar as próprias reações e evitar situações adversas que comprometam o rendimento individual e da equipe, promovendo relacionamentos mais saudáveis.

Desenvolver a capacidade de trabalhar em equipe também se torna essencial para a empregabilidade. Afinal, nada melhor que conseguir resultados positivos estando entre pessoas de personalidades distintas, sabendo utilizar a comunicação de forma pacífica e assertiva para lidar com as diferenças. Isso promove uma convivência mais tranquila, sem maiores dificuldades por questões pessoais e mantendo o fluxo de trabalho eficiente.

Mas não é nada fácil para cada um de nós desenvolvermos tantas soft skills assim, como o mercado exige. O segredo está em saber fazer escolhas, desenvolvendo primordialmente o que não se domina e que é necessário para o bom desempenho profissional e pessoal. Já para as organizações, a estratégia é incorporar a diversidade em suas práticas para formar equipes multidisciplinares, em que cada membro se destaca por ter habilidades diferentes das dos colegas.

Sabemos que cada empresa constrói seus times de acordo com suas necessidades, o que deriva de vários fatores, tais como segmento de atuação, valores e sustentabilidade, por exemplo. Mas, de forma generalista, o que o mercado de trabalho busca são pessoas que apresentam atributos relacionados às mais diversas competências, que podem ser classificadas como:

competências intelectuais (capacidade de reconhecer e definir problemas, equacionar soluções, pensar estrategicamente, introduzir mudanças nos processos de trabalho, atuar de modo preventivo, transferir e generalizar conhecimentos);  

competências organizacionais (mais metódicas, incluem autoplanejamento e autorganização, gerenciamento do tempo e espaço de trabalho);

competências comunicativas (englobam capacidade de expressão e comunicação com o grupo, em cargos acima e subordinados; cooperação; trabalho em equipe; diálogo; negociação, persuasão e comunicação interpessoal);

competências sociais (saber transferir conhecimentos da vida cotidiana para o trabalho e vice-versa);

competências comportamentais já citadas anteriormente (criatividade, iniciativa, pensamento crítico, vontade de aprender, flexibilidade ou abertura à mudança, etc.).

Mas como por que as soft skills tornaram-se mais importantes no mundo do trabalho do que as próprias hard skills?

De forma resumida, uma das hipóteses é que as hard skills são mais facilmente encontradas nas universidades ou cursos técnicos, podendo ser comprovadas pelas pessoas pelos seus diplomas e facilmente aprendidas por meio de cursos e especializações.

Já as soft skills dizem respeito aos comportamentos que as pessoas demonstram ter verdadeiramente, ou que pelo menos são apresentadas de forma voluntária ou inconsciente na maior parte do tempo, e que de fato interferem no humor, no clima, no engajamento e nos resultados organizacionais. Para aprendê-las, desenvolvê-las ou aprimorá-las, não há uma única receita ou um único caminho. Cursos, palestras, leitura de livros, revistas e artigos, filmes, lives, práticas, interação com outras pessoas, terapias… Tudo o que nos faça enxergar a nós mesmos e reconsiderar mudanças em nosso comportamento de forma intra e interpessoal, ajuda a desenvolver nossas soft skills.

É por isso que, antes de mais nada, autoconhecimento e autodesenvolvimento são essenciais para alcançar essas e outras habilidades procuradas pelo mundo corporativo.

E você, já começou nesse caminho? Já sabe quais são as suas habilidades comportamentais reconhecidamente mais percebidas por você e por pelas pessoas com as quais você mais convive? Já passou por alguma situação em que sentiu falta de ter desenvolvida alguma soft skill específica, ou já foi admirado pela manifestação de alguma? Quais as soft skills que você consegue reconhecer nas pessoas que mais admira?

Pense nisso, aja e amplie sua empregabilidade!

Por Ana Claudia Fagundes
Jornalista, especialista pós-graduada em Relações Públicas (ECA-USP) e em Psicologia Positiva (PUC-RS). Atua há mais de 10 anos como palestrante e instrutora de cursos voltados ao desenvolvimento pessoal e profissional.
Fundadora e instrutora na PositivAção Educação Corporativa
| [email protected] |