Só lidera no mundo VUCA quem aprende a mudar

Que o planeta que habitamos chama-se Terra todo mundo sabe. Mas e o mundo em que a gente vive, você sabe de qual outro nome pode ser chamado? Mundo VUCA. Já ouviu falar? E sabe qual é um dos segredos de sucesso neste mundo? Saber gerenciar mudanças.

Vamos por partes…

Este acrônimo VUCA, em inglês, ou VICA, em português, foi cunhado pelo exército americano nos anos de 1990, após a Guerra Fria, para definir um cenário Volátil (Volatility); Incerto (Uncertainty); Complexo (Complexity) e Ambíguo (Ambiguity).

Essas quatro palavras referem-se às revoluções tecnológicas, transformações digitais e mudanças constantes, fragmentadas, controvérsias e imprevisíveis que impactam a vida de todos nos níveis social, político e econômico. Resumindo o mundo assim, fica mais fácil entender que nada mais é fixo, já que absolutamente tudo é passível de mudanças.

Após a crise mundial de 2008, o termo VUCA passou a ser utilizado também no contexto organizacional, elucidando a necessidade de empresas e profissionais em serem flexíveis para conseguirem se adaptar tão rapidamente quanto as mudanças exigem. E, convenhamos, a pandemia nos fez vivenciar esses conceitos na prática.

Já que a mudança se tornou algo rotineiro, é fácil compreender porque a Gestão de Mudanças é uma das habilidades comportamentais (soft skills) mais requisitas no mundo do trabalho, principalmente para líderes, que são quem conduzem as transformações dentro de uma organização.

Como habilidade, a gestão de mudanças é uma junção de várias ideias distintas, advindas dos campos da administração, engenharia e psicologia, sendo os dois últimos os mais convergentes e complementares.

Enquanto na primeira o foco está em processos, sistemas e estrutura, na psicologia a atenção é voltada para pessoas. Se engenheiros têm como ponto de partida problemas ou oportunidades, psicólogos se concentram nas mudanças ou resistências dos empregados de uma organização. Quanto aos resultados, na engenharia são mensurados com métricas financeiras, estatísticas e desempenho do negócio. Na psicologia, com satisfação no trabalho, turnover e perda de produtividade.

Entendendo que pessoas e resultados são dois lados da mesma moeda, é sabendo equilibrar esses e vários outros fatores que um líder faz uma boa gestão de mudanças. Afinal, mesmo com tanta tecnologia disponível, a sobrevivência no mercado e o sucesso de um projeto ou de qualquer organização sempre irá depender de gente. E essa habilidade de orientar os empregados por meio das mudanças pode ser um fator decisivo sobre o quão rápida e completa uma mudança será realizada.

Afinal, é normal que qualquer mudança possa trazer medo, incerteza ou perda de confiança. Por isso, para realizar uma boa condução neste processo, o líder precisa comunicar seus liderados sobre a mudança, apoiar e demonstrar suporte, engajar-se no projeto, além de identificar e gerir resistências. Assim, fazer uma boa gestão de mudança é atirar-se primeiramente nela, sendo um precursor deste processo em todos os níveis da empresa, minimizando os impactos certeiros que qualquer mudança pode trazer nos hábitos, comportamentos e modelos mentais de qualquer pessoa.