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  • Por que cada vez mais precisamos de Inteligência Emocional na vida pessoal e no trabalho?

    Foi o psicólogo e jornalista científico Daniel Goleman que, em 1995, difundiu o conceito de Inteligência Emocional no mundo inteiro, com seu livro do mesmo nome, que ficou mais de um ano na lista dos mais vendidos e foi traduzido para mais de 40 idiomas.

    Quase três décadas depois, a Inteligência Emocional só ganhou força enquanto habilidade comportamental a ser desenvolvida para alcançar mais sucesso pessoal e profissional e mais qualidade de vida.

    Talvez tenha sido o próprio mundo que, nos últimos anos pré e pós pandemia, se tornou ainda mais globalizado, tecnológico, competitivo e com constantes mudanças de ordem política, social e climática, que criou essa necessidade coletiva de expandir a consciência sobre si, entender de emoções e conseguir controlar as próprias ações. Por isso ganha um diferencial positivo, na vida e no trabalho, quem consegue ter flexibilidade mental para compreender e aceitar mais rapidamente os acontecimentos, sabe se expressar eficazmente e relacionar-se bem com as pessoas, além de lidar com as pressões, desafios e demandas do cotidiano.

    Afinal, nesta conjuntura de tanta insegurança, fragilidade, ansiosidade e incertezas, é preciso estar preparado para tomar decisões rápidas e certeiras. É por isso que habilidades como iniciativa, flexibilidade, direção para realização, empatia, autoconfiança, persuasão, autocontrole, gerenciamento de equipes, entre muitas outras que fazem parte do arsenal da Inteligência Emocional, passaram a ser tão valorizadas até mesmo no ambiente de trabalho, pois mesmo alicerçadas por princípios de racionalidade, metas e objetivos planejados, as empresas não se tornaram capazes de separar suas atividades racionais das emoções humanas de clientes e empregados.

    Ao contrário, fica cada vez mais evidente no mundo organizacional que, para alcançar melhores resultados, é preciso entender como as relações humanas interferem no ambiente de trabalho, já que emoções e afetos estão presentes em todo e qualquer lugar onde haja pessoas. E o impacto disso pode ser positivo ou negativo, mas é sempre contagiante! Perceba como um líder arrogante e antipático afeta o clima e aniquila o humor da equipe. A consequência? Provavelmente mal atendimento de clientes internos e externos. Da mesma forma, quem está feliz pode animar e quem é mais expressivo pode influenciar outras pessoas.

    E para quem ainda não está muito familiarizado com o termo Inteligência Emocional, é importante explicar que não se trata de uma metodologia de trabalho que uma empresa pode implantar de forma massiva, moldando o comportamento das pessoas a ela. Bem longe disso... Trata-se de um processo individual de autoconhecimento e empatia, que permite a cada pessoa, em diferentes níveis e momentos, identificar e reconhecer emoções próprias e alheias, analisar situações e perceber os envolvidos, para só daí definir suas atitudes de forma assertiva. Por isso ser inteligente emocionalmente não significa ser isento de emoções, mas saber subordiná-las à razão para agir como se quer e precisa, resolvendo melhor problemas e conseguindo focar mais energia onde de fato é necessário.

    Segundo Daniel Goleman, para desenvolver a Inteligência Emocional é preciso conhecer, compreender e praticar cinco habilidades básicas e interdependentes. As três primeiras, descritas abaixo, dizem respeito a habilidades intrapessoais (você consigo mesmo) e as duas últimas a habilidades interpessoais (você se relacionando com outras pessoas). São elas:

    - Autoconsciência: é passar a observar atentamente os próprios comportamentos e estados interiores, de forma consciente, investigativa e autorreflexiva, conseguindo reconhecer as próprias emoções. No trabalho, autoconsciência nos permite escolher a melhor forma de falar, agir, tomar decisões e atitudes. Já a baixa autoconsciência pode prejudicar o desempenho, pois não proporciona informações para que possamos tomar decisões certeiras, além de dificultar o modo como tratamos os outros. Ter autoconsciência também é o primeiro passo para desenvolver as demais competências da Inteligência Emocional.

    - Automotivação: é ficar entusiasmado com objetivos pessoais e estabelecer metas a si mesmo para alcançar esses objetivos. Uma pessoa automotivada não necessita de incentivo alheio para envolver-se profundamente, com esperança e otimismo, em busca do que deseja e precisa, conseguindo superar obstáculos e enfrentar problemas que possam impedir a concretização dessas metas estabelecidas.

    - Autocontrole: é ter capacidade de administrar os próprios sentimentos e emoções, sejam elas positivas ou negativas, e desenvolver outras habilidades pessoais que ajudam no processo de atingir o que se deseja. Em nível elevado, permite reinterpretar situações negativas, dando-lhes um significado positivo e impedindo o impulso de resposta reativa que possa comprometer o resultado almejado.

    - Empatia: é a habilidade de perceber e reconhecer as emoções e sentimentos das outras pessoas, compreendendo as situações pelo ponto de vista delas. A empatia pode ser desenvolvida pela observação, leitura e compreensão de comportamentos verbais e não-verbais de comunicação demonstrados pelos outros, tais como expressão facial, postura corporal e tom de voz.

    - Gerenciamento de Relações ou Sociabilidade: é a capacidade de iniciar, manter e aprofundar relações sociais e conseguir substituir, de forma genuína, sentimentos negativos por positivos em relação às outras pessoas.

    Um alto nível de Inteligência Emocional no ambiente de trabalho permite relacionamentos mais profundos, redes sociais mais seguras, grupos que se ajudam, além do desenvolvimento de lideranças mais positivas e uma comunicação mais efetiva, tudo trabalhando para realizar planos e atividades empresariais com mais eficiência e mais satisfação individual dos envolvidos, que passam a agir de forma mais autodirecionada e congruente com seus sentimentos e valores pessoais.

    Uma boa notícia é que a maturidade emocional pode ser desenvolvida em todas as pessoas que desejam, sendo possível aprimorá-la a qualquer momento, inclusive na vida adulta, a partir de experiências acumuladas. É por isso que a Inteligência Emocional também tem o potencial de crescer continuamente.

    Mas é preciso começar e recomeçar, sempre que necessário, pelo o autoconhecimento, passando a observar suas emoções, sentimentos e fatores motivacionais, o que te impulsiona a um objetivo, bem como o que te desmotiva e entristece. Mas pode ir sem pressa, pois só o fato de refletir sobre si mesmo já é o primeiro passo a caminho do desenvolvimento e um sinal de que você está amadurecendo emocionalmente.

    Ana Claudia Fagundes -Diretora da PositivAção Educação Corporativa
    Jornalista pós-graduada em Gestão da Comunicação Organizacional e Relações Públicas e em Psicologia Positiva

  • Só lidera no mundo VUCA quem aprende a mudar

    Só lidera no mundo VUCA quem aprende a mudar

    Que o planeta que habitamos chama-se Terra todo mundo sabe. Mas e o mundo em que a gente vive, você sabe de qual outro nome pode ser chamado? Mundo VUCA. Já ouviu falar? E sabe qual é um dos segredos de sucesso neste mundo? Saber gerenciar mudanças.

    Vamos por partes...

    Este acrônimo VUCA, em inglês, ou VICA, em português, foi cunhado pelo exército americano nos anos de 1990, após a Guerra Fria, para definir um cenário Volátil (Volatility); Incerto (Uncertainty); Complexo (Complexity) e Ambíguo (Ambiguity).

    Essas quatro palavras referem-se às revoluções tecnológicas, transformações digitais e mudanças constantes, fragmentadas, controvérsias e imprevisíveis que impactam a vida de todos nos níveis social, político e econômico. Resumindo o mundo assim, fica mais fácil entender que nada mais é fixo, já que absolutamente tudo é passível de mudanças.

    Após a crise mundial de 2008, o termo VUCA passou a ser utilizado também no contexto organizacional, elucidando a necessidade de empresas e profissionais em serem flexíveis para conseguirem se adaptar tão rapidamente quanto as mudanças exigem. E, convenhamos, a pandemia nos fez vivenciar esses conceitos na prática.

    Já que a mudança se tornou algo rotineiro, é fácil compreender porque a Gestão de Mudanças é uma das habilidades comportamentais (soft skills) mais requisitas no mundo do trabalho, principalmente para líderes, que são quem conduzem as transformações dentro de uma organização.

    Como habilidade, a gestão de mudanças é uma junção de várias ideias distintas, advindas dos campos da administração, engenharia e psicologia, sendo os dois últimos os mais convergentes e complementares.

    Enquanto na primeira o foco está em processos, sistemas e estrutura, na psicologia a atenção é voltada para pessoas. Se engenheiros têm como ponto de partida problemas ou oportunidades, psicólogos se concentram nas mudanças ou resistências dos empregados de uma organização. Quanto aos resultados, na engenharia são mensurados com métricas financeiras, estatísticas e desempenho do negócio. Na psicologia, com satisfação no trabalho, turnover e perda de produtividade.

    Entendendo que pessoas e resultados são dois lados da mesma moeda, é sabendo equilibrar esses e vários outros fatores que um líder faz uma boa gestão de mudanças. Afinal, mesmo com tanta tecnologia disponível, a sobrevivência no mercado e o sucesso de um projeto ou de qualquer organização sempre irá depender de gente. E essa habilidade de orientar os empregados por meio das mudanças pode ser um fator decisivo sobre o quão rápida e completa uma mudança será realizada.

    Afinal, é normal que qualquer mudança possa trazer medo, incerteza ou perda de confiança. Por isso, para realizar uma boa condução neste processo, o líder precisa comunicar seus liderados sobre a mudança, apoiar e demonstrar suporte, engajar-se no projeto, além de identificar e gerir resistências. Assim, fazer uma boa gestão de mudança é atirar-se primeiramente nela, sendo um precursor deste processo em todos os níveis da empresa, minimizando os impactos certeiros que qualquer mudança pode trazer nos hábitos, comportamentos e modelos mentais de qualquer pessoa.

  • Como promover a comunicação positiva em reuniões virtuais

    Como promover a comunicação positiva em reuniões virtuais

    Dizer que o processo comunicacional é tão vital para o bom funcionamento humano quanto o ar é para a manutenção da vida, não é nenhum exagero!

    O ser humano é um ser social, que necessita se comunicar para se desenvolver. E mesmo com bilhões de anos de evolução, a comunicação – ou a falta dela – sempre é elencada como um dos principais problemas de relacionamentos, afetando também o mundo profissional.

     Tanto que, enquanto competência humana, a comunicação é uma das habilidades mais requisitadas pelas organizações na hora da contratação ou como soft skill (habilidade comportamental) a ser desenvolvida nos empregados.

    Afinal, quem se comunica bem, de maneira clara e fluida, de forma assertiva e respeitosa, tem mais facilidade para influenciar outras pessoas e alcançar objetivos pessoais ou profissionais.

    Como processo de interação, a comunicação hoje em dia ganha cada vez mais espaço nas câmeras e microfones e torna-se cada vez menos olho no olho, principalmente com os colegas de trabalho. As reuniões virtuais são uma realidade em praticamente todas as organizações, sejam empresas, escolas, e até mesmo nas interações familiares.

    E se o virtual agora faz parte da vida real, ao vivo e a cores, quase que diariamente, então precisamos utilizar meios e formas para, além de ver, falar e ouvir, também sentir. Proporcionar um ambiente acolhedor e com lugar de fala para todos os participantes online é primordial para manter a qualidade dessa comunicação intermediada pela tecnologia.

    Por isso as reuniões virtuais de trabalho tornaram-se um novo desafio para que gerentes e equipes não percam o vínculo antes estabelecido. Mesmo com tanta tecnologia intermediando nosso cotidiano, é preciso lembrar que por trás das câmeras interagimos com pessoas que estão controlando suas emoções diante dos desafios organizacionais e da vida pessoal.

    Sabe aquele momento descontraído no trabalho, com aquele bate-papo na hora do cafezinho antes de entrar ou depois de sair das reuniões, em que a gente pode falar da vida e fortalecer a amizade com os colegas? Agora essa é uma cena cada vez mais rara.  Na comunicação remota, então, o jeito é promover momentos positivos e estruturar as conversas nas salas virtuais com foco em diálogos mais humanizados, para que as interações sejam recíprocas, criando laços fortes e relações com mais engajamento e colaboração entre os membros da equipe, tudo isso sem perder a assertividade.

    Algumas sugestões podem ajudar neste processo. São atitudes simples, mas que podem fazer grande diferença nas emoções que serão experimentadas antes, durante e depois de cada encontro virtual.

    Ao abrir a reunião, por exemplo, é possível iniciar com uma dinâmica simples de quebra-gelo. Se a equipe não for muito grande, ofereça um minuto para que cada membro fale da própria vida pessoal e profissional, de seus medos, anseios e conquistas. Isso sinaliza para os participantes uma comunicação respeitosa e harmônica, em que as pessoas certamente se sentirão ouvidas, acolhidas e valorizadas.

    Para equipes maiores e onde o tempo for fator determinante, uma alternativa é começar o encontro com uma conversa mais leve do que propriamente a pauta da reunião. Algo rápido e mais casual, ou até mesmo um tema livre, para descontrair os participantes antes do assunto principal.

    Já quando o assunto da reunião levar à tomada de decisão, peça a opinião de todos a respeito do tema da agenda. Utilize perguntas abertas, dando tempo e espaço para que os participantes possam falar, e não apenas tenham como opção respostas fechadas, como sim ou não. Evite interromper bruscamente a fala alheia e permita que todos de fato expressem sua opinião. Ouça com a atenção e agradeça a cada participação.

    Promover o riso durante as interações é ótimo, pois rir provoca nas pessoas emoções positivas, que ajudam no processo de comunicação e na realização de qualquer tarefa. Mas é preciso focar no lado saudável e tomar cuidado para que o excesso de brincadeiras ou comentários sarcásticos inibam a participação de alguns ou possam até machucar os sentimentos de outros.

    O mundo hoje mostra que as organizações já conseguiram transpor a barreira da presença física, mas fazer uma boa comunicação ainda necessita de cuidado de quem a promove, lembrando que, por trás de cada câmera, há um ser humano tentando se comunicar.

    A boa comunicação, ou seja, a comunicação conduzida de forma clara e objetiva, a fim de promover a fala e a escuta, o respeito e emoções positivas é essencial para estabelecer interações pessoais de qualidade, principalmente no ambiente de trabalho. Pois mesmo fisicamente longe um do outro, o objetivo de se comunicar continua sendo levar entendimento com sentimento, e quanto mais positivos forem, melhor!